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Na véspera, a moeda norte-americana caiu 1,51%, vendida a R$ 3,7090 - menor valor desde o dia 3 de agosto.



Homem conta notas de dólar em casa de câmbio no Cairo, Egito. — Foto: Reuters

O dólar opera em alta nesta quarta-feira (10), corrigindo parte da forte queda acumulada em outubro, com investidores repercutindo declarações do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) sobre a reforma da Previdência e à espera da pesquisa Datafolha de intenção de votos para o segundo turno da eleição presidencial, a primeira após o 1º turno.

Às 14h45, a moeda norte-americana subia 0,75%, vendida a R$ 3,7369. Na máxima do dia até o momento chegou a R$ 3,7639. O dólar turismo era negociado a R$ 3,90, sem considerar a cobrança de IOF (tributo). Veja mais cotações.

Na véspera, a moeda norte-americana caiu 1,51%, vendida a R$ 3,7090. Foi o menor valor desde o dia 3 de agosto, quando o dólar encerrou o dia a R$ 3,7069.

Na semana, a moeda dos EUA já cede 3,78%. No mês de outubro, a desvalorização é de 8,14%. Já no acumulado do ano, ainda avança 11,94%.

O Banco Central ofertou e vendeu integralmente nesta sessão 7,7 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares. Desta forma, rolou US$ 3,080 bilhões do total de US$ 8,027 bilhões que vence em novembro.

Cenário eleitoral

Segundo a agência Reuters, contribuía para o movimento de correção desta quarta declarações de Bolsonaro sobre a reforma da Previdência, afirmando que a atual proposta do presidente Michel Temer dificilmente será aprovada.

Em entrevista à TV Band na noite da véspera, Bolsonaro falou sobre a proposta de sua campanha para a Previdência e sinalizou que deseja uma versão própria para a reforma. “Serviço público, homem, se aposenta com 60 anos de idade. Vamos botar 61. Você aprova. Se quiser já botar 65, nem que seja mais na frente, você não vai aprovar”, disse.

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), apontado como futuro ministro da Casa Civil em um eventual governo Bolsonaro, disse ao blog da Andréa Sadi que a campanha tem de duas a três propostas de reforma da Previdência em discussão, em estudo. E que a proposta do governo Temer foi "enterrada" no dia em que Henrique Meirelles e Eliseu Padilha disseram a parlamentares que a proposta em questão era para cinco anos.

De acordo com operadores ouvidos pelo Valor Online, o contexto mais desfavorável abre caminho para uma realização de lucros, mas não abala muito a “lua de mel” do mercado com o cenário político.

Sob a influência do noticiário eleitoral, o mercado aguarda ainda a divulgação, às 19h, de pesquisa Datafolha, a primeira após o primeiro turno da eleição presidencial.

No exterior, o dólar também subia ante as divisas de países emergentes, como o rand sul-africano e o peso mexicano. Ante a cesta de moedas, o dólar tinha leve queda, destaca a Reuters.

Ajustes nas perspectivas

Desde agosto, a moeda norte-americana vinha se mantendo acima de R$ 4, em meio a incertezas sobre o cenário eleitoral e também ao cenário externo mais turbulento, o que fez aumentar a procura por proteção em dólar.

A expectativa de que a cautela iria predominar nos mercados foi substituída por ajuste de posições nos últimos pregões, em meio ao resultado das últimas pesquisas eleitorais antes do 1º turno.

O mercado prefere candidatos com viés mais reformista e entende que aqueles com viés mais à esquerda não se enquadram nesse perfil. E, diante do resultado do 1º turno, o mercado entende que o país poderá ser governado por alguém com o perfil adequado à sua preferência.

A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2018 permaneceu em R$ 3,89 por dólar, segundo previsão de analistas de instituições financeiras divulgada por meio de boletim de mercado pelo Banco Centralnesta semana. Para o fechamento de 2019, ficou estável em R$ 3,83 por dólar.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2018/10/10/cotacao-do-dolar-10102018.ghtml